Futebol e marketing no Brasil

Posted September 15th, 2010 in Marketing by felipepavao

Para trazer de volta o tema “marketing no futebol” ao blog,  irei contar uma história real de como não fazer marketing, ou pelo menos, como não tratar  seu cliente. Explanarei um problema que estou enfrentando com meu clube de coração, o Vasco da Gama. Para quem não sabe, o Vasco tem um programa ambicioso de captação de sócios, com um crescimento considerável, tendo em vista que apenas 900 sócios pagavam as mensalidades anteriormente ao plano e, atualmente, mais de 13 mil o fazem.

Após alguns meses do lançamento do plano eu consegui separar uma verba para doar ao meu clube. Em troca disso, receberia o benefício de ter meia-entrada em jogos disputados em São Januário, além é claro, do clube de descontos em uma série de estabelecimentos. Para mim, só de ter a possibilidade de comprar o ingresso sem enfrentar filas, antes da venda normal, já é uma motivação muito especial. Melhor ainda se pudesse comprar pela internet, entrar no estádio por um lugar específico, para trocar o ingresso e não me estressar (estão planejando algo por lá e eu já não gostei do que fora proposto).

Até o momento só falei das coisas boas, mas a primeira e grata surpresa aconteceu quando, através do site resolvi me associar. A proposta para se tornar um “Sócio Geral” era a seguinte: paga-se R$ 100 de adesão e R$ 30,00 de mensalidade. Quando acabei de efetuar o cadastro, o site me levou ao sistema de pagamentos. Chegando a essa tela, o sistema sem nenhuma explicação me cobrava R$ 145. Como eu não sou idiota, não paguei. Muitos podem me perguntar: você não pagou por causa de R$ 15 ?? A resposta é óbvio: eu não sei para onde vai essa diferença de dinheiro. Para começar, o fato divulgado sobre o programa de sócios do Vasco é que apenas 70% do que é arrecadado vai para o clube, devido ao contrato estúpido de terceirização do ridículo sistema mencionado. Bom, a partir daí teintei contato com o Vasco, sem sucesso, obviamente. Tentei o Twitter, um formulário de ouvidoria (o clube divulgou 2 dias após esse problema que havia lançado uma área para ouvidoria, que é um advogado do cliente, dentro de uma empresa).

Enfim, ainda não me tornei sócio do Vasco porque o clube não deseja. E o que me pergunto é:

1) Sabemos que a maioria das empresas tem problemas e perda de dinheiro devido a problemas de TI, então, o quanto de dinheiro o Vasco está perdendo com pessoas que podem ter o mesmo problema que o meu ?

2) Por que fazer um contrato ridículo com uma empresa que vende um sistema feito em ASP (?!?!?!?!) em pleno século 21 ? Quem está se beneficiando com isso ?

3) Até quando vai essa ladainha ?

Ficaria agradecido se o Vasco pudesse responder e me desmentir. Além disso, divulgaria aqui no blog a resposta.

Futebol e os novos tempos

Posted May 3rd, 2010 in Marketing by felipepavao

Lendo a última entrevista do Eurico Miranda, ex-presidente-achando-que-era-dono do meu clube de coração Vasco da Gama, tive a inspiração para divagar um pouco sobre os negócios que o futebol pode gerar. E o ponto central de onde tirei esses minutos de inspiração foi quando ele mencionou que uma gestão amadora no futebol ainda é mais “produtiva” que a gestão profissional. Segundo ele, a gestão amadora garante a um clube de futebol a manutenção da sua tradição (ignorando os atores principais por manter a tradição de um clube: os torcedores). Ele afirma que só um presidente amador saberia tomar decisões sábias para o futuro do clube.

Para começar, essas afirmações são totalmente furadas: futebol virou negócio, e quem não pensar assim ficará para trás. Um dos exemplos nacionais mais dramáticos é o time do Santa Cruz, com milhares de torcedores no Nordeste, e mesmo assim foi parar na quarta divisão do futebol nacional. Em 2008 foi a vez do meu time, o Vasco da Gama descer a segunda divisão e disputar a competição no ano seguinte. E tantos outros exemplos, como o Corinthians, Fluminense, Bahia, Atlético Mineiro, Botafogo, Palmeiras, entre outros. Os inúmeros exemplos, não só nacionais quanto internacionais, só comprovam a tese que se clubes de futebol tiverem administrações ruins, mesmo sendo de grande porte (com grandes torcidas), não suportarão a forte competição dos concorrentes e não obterão sucesso.

Seguindo esse argumento, chegou a hora de pensar nos negócios que o futebol pode gerar. Até porque, também temos no mundo inúmeros clubes e times-empresa que conseguem gerar ‘N’ formas de receita. Renda dos jogos, produtos, TV e patrocínios não são as únicas fontes. Na verdade, todo trabalho de marketing é baseado no fortalecimento da marca e a aproximação dos torcedores. E os serviços básicos para aproximar seus torcedores são oferecidos e cumpridos a rigor. Um torcedor, que se associa a um clube, consegue comprar ingressos de forma antecipada para todas as partidas de seu clube. E pela internet, sem enfrentar filas!! Além disso, ele tem descontos nos produtos licenciados do clube e pode participar ativamente e consumir as instalações do clube. Não preciso nem comentar sobre as instalações dos clubes europeus, que botam no chão qualquer clube do Brasil.

Então como podemos mudar esse cenário ?  No Brasil nós ainda precisamos do básico. Vender ingressos pela internet e garantir um lugar confortável ao torcedor que é associado é o começo. Precisamos melhorar nossos estádios e instalações também. Alguns clubes nacionais já criaram o seu “dia do torcedor”, onde ele paga um valor determinado  e faz um passeio pelas instalações do clube, estreitando assim o relacionamento. Além de promoções pela internet (que geram incentivos), montar equipes fortes e promover uma administração transparente também são fatores importantes. E a lista não para por aqui. Poderia passar o dia inumerando ações no futebol, mas esse ainda não é o meu trabalho. Quem sabe, um dia.